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Consultoria fee-only registrada na CVM: como funciona

Uma consultoria fee-only registrada na CVM é uma empresa autorizada pela CVM a recomendar investimentos e paga só pelo cliente, por uma taxa. Ela orienta; quem decide e executa é o cliente, na instituição que ele escolher. Como não recebe de bancos nem de corretoras, não ganha mais quando o cliente compra mais produto.

“Fee-only” não é um termo da lei: é o modelo de cobrança. O que garante a independência é a regra da CVM para consultores, a Resolução CVM 19, de 2021.

O que a CVM exige de um consultor

A Resolução CVM 19 define a consultoria como orientação profissional, independente e individualizada, cuja execução é exclusiva do cliente (art. 1º). As principais exigências:

  • Autorização da CVM. Só consultores autorizados podem prestar o serviço (art. 2º). Na empresa, o responsável é um diretor autorizado pela CVM como consultor, com graduação e exame de certificação (arts. 3º e 4º). Pelo menos 80% da equipe precisa ser certificada (art. 20).
  • Lealdade ao cliente. O consultor coloca os interesses do cliente acima dos seus e recomenda de acordo com o perfil dele (art. 16, I e II).
  • Contrato por escrito. O contrato detalha a remuneração e os conflitos de interesses (art. 16, III).
  • Sem dinheiro de terceiros. O consultor repassa ao cliente qualquer benefício que receba por ser consultor e não pode receber remuneração que prejudique a independência (art. 16, VII, e art. 18, V). A exceção é o investidor profissional, com mais de R$ 10 milhões aplicados, que assina um termo de ciência (art. 18, §1º; Resolução CVM 30, art. 11).
  • Sem promessa de rentabilidade. O consultor não pode garantir resultado (art. 18, III, e art. 12, §1º).
  • Quem executa é o cliente. O consultor não pode agir como procurador do cliente na corretora para executar as operações (art. 18, VI).
  • Transparência. A empresa mantém no site o formulário de referência, o código de ética, as regras de controles internos e a política de negociação (art. 14), e envia o formulário à CVM todo ano, até 31 de março (art. 15).

Consultoria, assessor ou gestora?

Os três são regulados pela CVM, mas cada um tem uma regra e um jeito de ser pago. A diferença que mais pesa é quem paga e quem decide.

Consultoria de investimentosAssessor de investimentosGestora (administrador de carteira)
Regra da CVMResolução CVM 19Resolução CVM 178Resolução CVM 21
Quem pagaO cliente, por uma taxaA corretora ou o banco a que está ligado, por comissãoO cliente, por taxa de administração
Quem decide os investimentosO cliente, com a recomendação do consultorO cliente, com a orientação do assessorO gestor, em nome do cliente
Onde ficam os investimentosNa instituição que o cliente escolherNa corretora do assessorNa carteira ou no fundo que o gestor administra

Se alguém decide e executa os investimentos por você, precisa ser registrado como gestor. A consultoria só recomenda: a execução é exclusiva do cliente (Resolução CVM 19, art. 1º e art. 18, VI).

Comissão ou fee: onde está o conflito de interesses

Bancos, corretoras e assessores de investimento costumam ser pagos na transação: recebem uma parte de cada produto que o cliente compra. Cada produto paga uma comissão diferente, então quem recomenda ganha mais com uns do que com outros. O produto que mais remunera quem vende nem sempre é o melhor para quem compra.

Isso não depende da boa-fé de quem atende: é o incentivo do modelo. A própria CVM lista esses conflitos na regra dos intermediários (Resolução CVM 35, art. 26-D, incluído pela Resolução CVM 179):

  • a corretagem, que incentiva recomendar mais operações;
  • os rebates e as comissões que a instituição recebe ao vender determinados produtos;
  • assessores ligados a mais de uma instituição, que podem receber taxas diferentes por produtos parecidos;
  • os produtos do próprio grupo, como fundos geridos pela casa e títulos emitidos pelo banco.

A comissão nem sempre aparece como taxa. Ela pode vir de uma parte da taxa de administração do fundo, da taxa de distribuição de uma oferta ou do spread, a diferença entre o preço que a instituição paga por um título e o preço pelo qual ela o vende ao cliente (art. 26-C). Um investimento “sem taxa” pode estar remunerando o distribuidor por dentro.

Desde novembro de 2024, bancos e corretoras precisam informar quanto ganham no momento da ordem e enviar um extrato trimestral com tudo o que receberam pelos investimentos do cliente, inclusive a parte do assessor (arts. 26-E e 26-F). Vale pedir esse extrato. A regra não vale para investidores profissionais (art. 26-G): quem tem mais de R$ 10 milhões aplicados e assinou o termo pode não receber essas informações.

No fee-only, a conta muda: o consultor recebe a mesma taxa qualquer que seja o produto recomendado. Não há produto que pague melhor, e ele só ganha mais quando o patrimônio do cliente cresce. Consultor e cliente ficam do mesmo lado da mesa.

Como conferir se uma consultoria é registrada

A consulta é gratuita e leva poucos minutos:

  1. Abra o cadastro de participantes da CVM (sistemas.cvm.gov.br/?CadGeral).
  2. Pesquise a empresa e confira se ela aparece como consultor de valores mobiliários, com registro ativo.
  3. No site da consultoria, procure o formulário de referência, o código de ética e as políticas que a CVM exige (art. 14).
  4. Pergunte por escrito como ela é remunerada e se recebe algo de bancos, corretoras ou parceiros. A resposta tem que estar no contrato (art. 16, III).

Como a Sereno trabalha

A Sereno é uma consultoria fee-only registrada na CVM e funciona como um Virtual Family Office: um banker dedicado cuida dos investimentos e do resto da vida financeira da família, de impostos e sucessão a imóveis, seguros e câmbio.

  • Do seu lado, sempre. A Sereno não recebe comissão de nenhum produto financeiro. Como não ganha com o produto, recomenda pensando só na família.
  • Seu dinheiro continua seu. A Sereno não faz custódia: os investimentos ficam em seu nome, nos bancos e corretoras que você já usa.
  • Especialistas só quando precisa. Tributário, sucessório, imobiliário, seguros e câmbio entram quando a família precisa, com o preço combinado antes. Você não paga por uma estrutura parada.
  • Sem fidelidade. O fee parte de 1% ao ano e cai conforme o patrimônio cresce (quanto custa um family office). A família fica porque quer.

Quer conhecer o VFO da Sereno?Na primeira conversa, entendemos o momento da sua família, mostramos como o modelo funciona na prática e dizemos com honestidade se vale começar agora.

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Perguntas frequentes

O que significa fee-only?

É o modelo em que o consultor é pago só pelo cliente, por uma taxa, sem comissão de banco ou corretora sobre os produtos que recomenda.

Por que bancos e assessores de investimento têm conflito de interesses?

Porque são pagos por produto vendido, com comissão, rebate, spread ou taxa de distribuição. Cada produto paga diferente, o que cria incentivo para recomendar o que remunera melhor quem vende. A própria CVM lista esses conflitos na Resolução CVM 35 (art. 26-D).

Como saber quanto o banco ganha com os meus investimentos?

Desde novembro de 2024, bancos e corretoras enviam um extrato trimestral com tudo o que receberam pelos seus investimentos, inclusive a parte do assessor (Resolução CVM 35, art. 26-F). A regra não vale para investidores profissionais.

Toda consultoria registrada na CVM é fee-only?

Para a maioria dos clientes, sim: a regra proíbe receber de terceiros quando isso prejudica a independência. A exceção é o investidor profissional, com mais de R$ 10 milhões aplicados, que assina um termo aceitando esse conflito. Vale perguntar à consultoria.

A consultoria pode movimentar o meu dinheiro?

Não. Ela recomenda, e a execução é exclusiva do cliente. Quem decide e executa por você precisa ser registrado como gestor.

Como saber se uma consultoria é registrada na CVM?

Pesquise o nome dela no cadastro de participantes da CVM, que é gratuito, e confira se aparece como consultor de valores mobiliários com registro ativo.

A Sereno é uma consultoria fee-only?

Sim. A Sereno é registrada na CVM, é paga só pelo cliente e não recebe comissão de nenhum produto financeiro. Os especialistas do VFO entram só quando a família precisa, com o preço combinado antes.

Por Victor Gilbert, responsável técnico da Sereno Capital perante a CVM. Atualizado em outubro de 2026. Conteúdo educativo; não é recomendação de investimento.

Fontes

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