Gestão patrimonial: o que é, como funciona e quanto custa em 2027
Gestão patrimonial é o cuidado coordenado de tudo o que a família tem: investimentos, impostos, sucessão, proteção, imóveis e bens no exterior. Não existe um registro de “gestor patrimonial” na CVM: quem recomenda investimentos precisa ser consultor registrado, e quem decide os investimentos no lugar da família precisa ser gestor autorizado. O custo depende do modelo: banco e assessor ganham nos produtos que vendem, enquanto consultoria e gestora cobram uma taxa da família, descrita em contrato. Para famílias com R$ 1 milhão a R$ 30 milhões, uma consultoria independente cuida dos investimentos sem conflito de produto e coordena os especialistas do resto.
O que entra na gestão patrimonial
A gestão patrimonial olha o patrimônio como um todo, e não produto por produto. Seis frentes costumam entrar:
| Frente | O que se decide | Para aprofundar |
|---|---|---|
| Investimentos | carteira, risco, liquidez e onde o dinheiro fica | Consultoria fee-only |
| Impostos | como a renda e os dividendos são tributados e o que dá para planejar | Lei 15.270 e o IR mínimo |
| Sucessão | testamento, doação, previdência e o custo do inventário | Planejamento sucessório |
| Estrutura | holding, empresas da família e acordos entre herdeiros | Holding familiar |
| Proteção | seguros de vida e de patrimônio, e a reserva da família | |
| Exterior e imóveis | bens fora do país, câmbio e imóveis |
O ponto da gestão patrimonial é a coordenação: uma decisão de investimento mexe no imposto, e uma estrutura de sucessão mexe nos investimentos. Quando cada frente fica com um profissional diferente, sem alguém que olhe o conjunto, a família paga a conta das pontas soltas.
Quem pode fazer a gestão patrimonial
“Gestor patrimonial” não é uma categoria da CVM. Na parte dos investimentos, quatro tipos de profissional atendem famílias, e a regra muda bastante de um para o outro:
| Consultoria independente | Gestora (carteira administrada) | Banco (private) | Assessor de investimentos | |
|---|---|---|---|---|
| Regra | Resolução CVM 19 | Resolução CVM 21 | regras do banco e da CVM | Resolução CVM 178 |
| Quem decide | a família, com a recomendação | o gestor, “por conta do investidor” | a família, com o gerente | a família, com o assessor |
| Quem paga | a família, pelo contrato | a família, pelo contrato | os produtos que a família compra | parte das taxas dos produtos |
| Comissão de produto | não pode ficar com ela; repassa à família | não pode ficar com ela; repassa à carteira | faz parte do modelo | é como ganha |
| Recomenda | qualquer produto do mercado | qualquer produto do mercado | em boa parte, produtos do próprio grupo | produtos das instituições para as quais trabalha |
A diferença entre consultoria e gestora está em quem aperta o botão. Na gestora, a família entrega a decisão: o gestor aplica os recursos “por conta do investidor” (Resolução CVM 21, art. 1º). Na consultoria, a recomendação vem pronta e a família decide e executa no banco dela (Resolução CVM 19, art. 1º).
Na prática, a carteira administrada tem limites que pesam para uma família:
- É pouco personalizada. As gestoras costumam trabalhar com poucos modelos de carteira por perfil de risco, e não com a situação de cada família: imposto, sucessão, as datas em que vai precisar do dinheiro.
- A liquidez sai do controle da família. Quem escolhe os ativos, e os prazos de resgate deles, é o gestor.
- As taxas se somam. A taxa de gestão vem por cima das taxas dos fundos em que a carteira investe.
- A taxa de performance reduz o ganho. Quando a taxa fixa é baixa, costuma vir junto uma taxa de performance, que fica com parte do que a carteira render acima do índice de referência.
A consultoria mantém a decisão com a família e monta a recomendação em cima da vida dela, e não de um modelo. As duas têm de colocar o cliente em primeiro lugar e passar a ele qualquer benefício que recebam.
Banco e assessor fazem outro trabalho: são pagos pelo produto, e esse é o conflito que a própria CVM manda declarar (leia mais).
Impostos, sucessão, seguros e imóveis não são atividades da CVM: ficam com advogados, contadores e corretores de seguro. Quem coordena a gestão patrimonial precisa juntar essas pessoas à parte dos investimentos.
Quanto custa a gestão patrimonial
Toda gestão patrimonial tem custo. O que muda é se ele aparece numa conta clara ou fica escondido dentro dos produtos.
- Banco e assessor: não há tarifa visível. O custo vem embutido: parte da taxa de administração dos fundos, taxa na emissão de produtos estruturados (no COE, até 5% do valor aplicado) e spread em títulos do próprio banco (como o private bank ganha dinheiro).
- Consultoria independente: uma taxa da família, descrita em detalhe no contrato (Resolução CVM 19, art. 16, III). Costuma ser um percentual ao ano sobre o patrimônio acompanhado. A comissão que algum produto pague volta para a família.
- Gestora (carteira administrada): uma taxa de gestão descrita no contrato (Resolução CVM 21, art. 18, III), que se soma às taxas dos fundos em que a carteira investe. Quando a taxa fixa é baixa, costuma vir uma taxa de performance, que fica com parte do ganho acima do índice. Também não pode ficar com benefício de terceiros.
- Especialistas: advogado, contador e corretor de seguros cobram honorários à parte, por serviço.
A conta que a família deve fazer é o custo total por ano, somando tudo: a taxa visível e o que está dentro dos produtos. O extrato trimestral de remuneração, que bancos e corretoras enviam desde novembro de 2024, mostra a parte escondida.
Na Sereno, a taxa parte de 1% ao ano e cai conforme o patrimônio cresce. Os especialistas em impostos, sucessão, imóveis, seguros e câmbio entram só quando a família precisa, com o preço combinado antes, e o rebate dos fundos volta para a família como cashback.
Como escolher quem cuida do patrimônio
Seis perguntas separam um bom serviço de uma venda de produto. Faça por escrito, antes de assinar:
- Você é registrado na CVM, e em qual categoria? Consultor, gestor ou assessor; confira no cadastro de participantes da CVM.
- Como você é pago, e recebe algo de bancos, gestoras ou seguradoras? Peça valores ou percentuais, não “depende”.
- Quem decide e quem executa? Você, com a recomendação, ou ele, por você.
- Onde fica o dinheiro, e em nome de quem? O ideal é no banco ou na corretora que a família escolher, sempre no nome dela.
- Quem cuida de impostos, sucessão e seguros, e quanto custa cada parte? O preço de cada serviço deve vir antes de ele começar.
- O que eu recebo e com que frequência? Relatório, reunião e quem atende quando algo muda.
Uma consultoria independente responde às seis do mesmo jeito: é paga só pela família, recomenda qualquer produto do mercado, não fica com comissão e não toca no dinheiro. Na Sereno, o Virtual Family Office junta a consultoria registrada na CVM, para os investimentos, aos especialistas do resto, com um banker que coordena tudo.
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Quero um banker para minha famíliaPerguntas frequentes
O que é gestão patrimonial?
É o cuidado coordenado de todo o patrimônio da família: investimentos, impostos, sucessão, proteção, imóveis e bens no exterior. O objetivo é que cada decisão leve em conta as outras.
Gestão patrimonial é a mesma coisa que wealth management?
Sim. Wealth management é o nome em inglês do mesmo serviço, usado por bancos e gestoras.
Qual a diferença entre gestão patrimonial e gestão de carteira?
A gestão de carteira cuida só dos investimentos, e o gestor decide por conta do investidor (Resolução CVM 21). A gestão patrimonial é mais ampla e inclui impostos, sucessão e proteção.
Quanto custa a gestão patrimonial?
Depende do modelo. Banco e assessor ganham dentro dos produtos; consultoria e gestora cobram uma taxa da família, descrita no contrato, em geral um percentual ao ano sobre o patrimônio. Na Sereno, a taxa parte de 1% ao ano.
A partir de quanto patrimônio vale a pena?
Não há mínimo na regra. Uma consultoria independente atende bem famílias com R$ 1 milhão a R$ 30 milhões; acima disso, um multi family office passa a fazer sentido.
Gestão patrimonial e family office são a mesma coisa?
O family office é a estrutura que faz a gestão patrimonial da família, própria ou compartilhada. O Virtual Family Office leva esse cuidado a famílias sem estrutura própria.
Leia também: Family office: o que é, como funciona e quando faz sentido, Assessor ou consultor de investimentos e Private bank: o que é e quanto custa.
Fontes
- Resolução CVM 21/2021, administração de carteiras (arts. 1º, 18 e 20 e Anexo E).
- Resolução CVM 19/2021, consultoria de valores mobiliários (arts. 1º, 16 e 18).
- Resolução CVM 178/2023, assessor de investimento (Anexo A, termo de ciência).
